Ecológica

FRANCISCO DE ASSIS E O CUIDADO DA CRIAÇÃO

Louvado sejas meu Senhor pela nossa mãe/irmã Terra com Tuas criaturas

Cada vez mais em diferentes círculos de reflexão está sendo pautada a problemática da crise ecológica. Percebemos que entre os seres da terra, nós humanos somos os únicos dotados de razão, no entanto, somos os mais irracionais na relação com a natureza.  A devastação é tamanha que esta já emite sinais visíveis de clamor na tentativa desesperada de regenerar-se.

Para impedir o avanço do caos precisamos aprender a escutar o clamor que vem da natureza ferida pela ação violenta dos seres humanos. Porque, na medida em que, depredamos a natureza, estamos, não só, destruindo algumas espécies de vida, mas estamos nos auto-destruindo juntamente com toda uma cadeia de vida de outras espécies.

O ser humano deixou-se seduzir por uma mentalidade egocêntrica, a idéia de que ele é o centro de tudo e as demais coisas são destinadas a serem exploradas como melhor lhe convém: “eu sou o senhor do universo, por isso, tenho todo o poder de dominar os demais seres e formas de vida”. Tal mentalidade forjou a idéia de progresso ilimitado. Mais. Desencadeou o desejo consumista desenfreado, como também, uma relação de ruptura, de não se sentir parte da natureza. Esse é o nosso pecado original. Comemos do fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal e ilusoriamente nos julgamos tão poderosos sobre os demais seres como se fôssemos realmente deuses do universo. Como cada escolha tem suas conseqüências eis que já são perceptíveis os resultados desta opção feita.   Com isso, o Planeta está esboçando sinais de reação como que dizendo para nós humanos: “não agüento mais tamanha destruição”.

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Precisamos ressignificar nosso modo de estar, de habitar o Planeta. Tomar consciência da nossa interdependência em relação à natureza. Aqui somos convidados a revisitar Francisco de Assis (1181-1226) que se revelou grande mestre no resgate do Plano Original da Criação. Ele, ao perceber essa ruptura da harmonia original do ser humano com toda a criação, iniciou profundo processo de conversão. Desnudou-se da mentalidade egocêntrica e abraçou nova forma de estar no mundo. Na sua experiência religiosa cultivou nova sensibilidade em relação à natureza acolhendo a Terra como Mãe. Nela transbordava de alegria e encantamento não por sentimento romântico apenas, mas porque esta revelava a Bondade e a Beleza de Deus (Trindade).

Movido por esta experiência, o “santo dos bichinhos” como é carinhosamente venerado na devoção religiosa popular, Francisco nos ensina nova atitude, relação de cuidado, de reverência, de respeito, amabilidade fraterna com cada ser criado presente no universo. Tal foi seu encantamento pelo universo criado que sua própria vida transforma-se em poesia. O Cântico do Irmão Sol é que melhor expressa tal realidade Com Francisco queremos reconhecer e cantar a Bondade e a Beleza do Criador presente em todas as criaturas do universo.

Portanto, que Francisco na sua simplicidade sirva como fonte inspiradora para nós na busca de maior cuidado com a Criação passando da relação de dominação, destruição para relação de comunhão fraterna.

Assim, com Francisco queremos cantar:

Louvado sejas, meu Senhor pela mãe/irmã terra com todas as Tuas criaturas.                                                                         

                                     Fr. Blásio Kummer, OFM

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